Category Archives: literatura

poesias do quotidiano

Um Mundo perdi – há dias
Será que Alguém o encontrou?
Por Um Diadema de Estrelas,
Se conhece onde ficou.

Um Rico – nel’ não repara –
Mas é de tanto Valor
Para os meus Olhos frugais –
Procurai-mo – por favor!

Tradução de JORGE DE SENA, “80 poemas de Emily Dickinson“, Edições 70, Lisboa, 1978

Livro da Semana, 18

Ler “A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao” é de “puta madre”, isto é, porreiro.

Esta é a estória de Oscar e da sua família, confeccionadas e temperadas com memórias de ficção científica e embrulhadas com os delírios de poder (f….) de Trujillo.

Escrita urbana, cheia de energia e a caminhar connosco pela rua…

E espantem-se, no meio desta viva, lúcida estranheza, somos arrastados no final, para um mágico, lírico e comovente olhar.

Junot conta-me outra estória?

Para quem queira saber mais sobre as “trujilhices” recomendo, “Galíndez” e “A Festa do Chibo”.

Para Ler: Sim, especialmente para os amantes de “linguagens de rua”

um em dois

Está preocupado,assustado com o mundo que o rodeia?

Quer pensar?

então dou-lhe duas sugestões, com carácter de urgência,

leia “Um Tratado sobre os Nossos Actuais Descontentamentos”,

vá ver o filme “Inside Job – A Verdade da Crise”.

Pensamentos roubados, 7

Sem esperança e sem desejo não vamos a lado nenhum

Montaigne

Livro da Semana, 17

O amor é em geral um tema apetecível, filosofia não tanto, mas com uma escrita coloquial e irreverente, “Os Filósofos e o Amor”, faz-nos pensar, sonhar e rir.

Para ler: já

Livro da Semana, 16

“Lembra-te que vais morrer”.

E é à volta desta mensagem telefónica que Muriel Spark conta a sua estória.
Aqui, o envelhecimento também é o tema, mas a escrita é deliciosamente venenosa, muito à Agatha Christie e é um excelente contraponto ao livro “postado” anteriormente.

Para ler: Sim

livros, críticas & video

Ron Charles é o crítico de serviço do The Washington Post “Book World”.

Recentemente teve uma ideia bem divertida, filmar os seus comentários sobre alguns livros.

Pode ver aqui a sua apreciação sobre o romance que está a fazer furor nos Estados Unidos, “Freedom” de Jonathan Franzen

Mistérios de Lisboa

“Mistérios de Lisboa”, filme dirigido por Raoul Ruiz e baseado na obra homónima de Camilo Castelo Branco é um marco num novo olhar sobre Portugal.

Vê-lo é um momento “gourmet”,
uma paleta de cores estonteante, movimentos de câmara que oscilam entre a poesia e o bailado, estórias dentro de estórias e música de Luis de Freitas Branco.

Mistérios de Lisboa, estórias de sofrimento que saiem umas das outras como pérolas com lágrimas e que nos mostram como uma sociedade sempre com tempestades no horizonte, sempre a fazer de conta.

Este filme tem a duração de 4horas e 30 minutos, e não vou dizer que não dei pelo tempo passar ou que poderia ser mais longo, mas não tenho dúvidas sobre a sua qualidade.
Mas também pode esperar para ver ou rever, porque vai passar no próximo ano numa televisão perto de si, em seis episódios.

Na minha opinião o realizador devia receber um prémio da Câmara de Lisboa, de Portugal, ou o quer que seja.
Raoul Ruiz pôs Lisboa, Portugal e Camilo Castelo Branco no mapa coisa que já tinha feito por Proust com o filme “O Tempo Reencontrado”.

Embora neste caso já não fosse necessário, visto os franceses o terem sempre vendido, com ou sem, as suas “madeleines” Neste caso era mais o prazer de ver uma adaptação do final da obra “À Procura do Tempo Perdido”

E já que está aqui, aproveite e ouça o “Concerto para Violino” do Luis de Freitas Branco.

Filme a ver:Sim,sim,sim

Livro da Semana, 15

May Sarton escreveu vários livros sobre a experiência de envelhecer, mas só um foi publicado em Portugal, em 1997 pelos Livros Cotovia, “Prepara-te para a morte e segue-me”.

Numa época em que a velhice é um incómodo e não vende, este testemunho da força e beleza do espírito humano é incontornável.

É um tema duro?

É.

Mas como envelhecer faz parte do nosso projecto de vida, não faz mal pensar um pouco.

Ler este livro escrito do fundo do coração, é como meditar.

Para ler: Sim

Livro da Semana, 14

“Suite Francesa” escrito por Irene Némirovsky fala da França, da 2ª guerra mundial e do êxodo de 1940.

A sua prosa é sensível, delicada e constrói retratos de vida inesquecíveis, atrevo-me a dizer balzaquianos.

A vida da sua autora é uma estória dentro de outras estórias.

E foi quase assim que as coisas se passaram…

Para ler: Sim