Category Archives: cinema

José e Pilar

Estamos perante um excelente documentário, apesar de ser um exercício de narcisismo e controle que por vezes irrita, mas mais vezes comove.

O seu realizador, Miguel Gonçalves Mendes é um nome para fixar.

A ver: Sim, sem sombra de dúvidas

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um em dois

Está preocupado,assustado com o mundo que o rodeia?

Quer pensar?

então dou-lhe duas sugestões, com carácter de urgência,

leia “Um Tratado sobre os Nossos Actuais Descontentamentos”,

vá ver o filme “Inside Job – A Verdade da Crise”.

tapas com vida

a propósito do 3º Festival do Cinema Espanhol,

(…) Si tapas tu, tapo yo
tápalo y dejalo. No lo remuevas por Dios!.
Si tapas tu, tapo yo, tápalo y entiéndelo. No se lo cuentes al sol.

(…) La calle, los verbos , los bares, los dueños, los premios, los barrios, los perros, los cantaores, los camellos, las verbenas, las palabras, los sueños, los perros,…

Los senderos que hablan de sueños, no devuelven más que sucio silencio.Los paisajes que gritan recuerdos me devuelven sabores sin verbo.

Y los verbos que tienen te quiero, son las calles, son las calles que llevan… al gueto

que a Força esteja contigo!

“A Rede Social”, um fime de culto, uma estória dos nossos tempos, uma tragédia grega que faria as delicias do Shakespeare e do Wagner.

Desenvolvida à volta do Facebook, mas sobre o poder (dinheiro, sexo) e a validação social.

Filmado e interpretado com muita energia, muita adrenalina, mas apesar de alguma superficialidade na abordagem, prende-nos à cadeira com necessidade de cinto de segurança.

O filme deixou-me com “pele de galinha” e fez-me pensar no“Clube de Combate” do mesmo realizador e no universo do Bret Easton Ellis.

E como um croupier apetece-me dizer:

“Faites vos jeux”

Para desenvolver alguma paz interior, ouça aqui o tema âncora, quase celestial do filme.

Para ver: Sim

Mistérios de Lisboa

“Mistérios de Lisboa”, filme dirigido por Raoul Ruiz e baseado na obra homónima de Camilo Castelo Branco é um marco num novo olhar sobre Portugal.

Vê-lo é um momento “gourmet”,
uma paleta de cores estonteante, movimentos de câmara que oscilam entre a poesia e o bailado, estórias dentro de estórias e música de Luis de Freitas Branco.

Mistérios de Lisboa, estórias de sofrimento que saiem umas das outras como pérolas com lágrimas e que nos mostram como uma sociedade sempre com tempestades no horizonte, sempre a fazer de conta.

Este filme tem a duração de 4horas e 30 minutos, e não vou dizer que não dei pelo tempo passar ou que poderia ser mais longo, mas não tenho dúvidas sobre a sua qualidade.
Mas também pode esperar para ver ou rever, porque vai passar no próximo ano numa televisão perto de si, em seis episódios.

Na minha opinião o realizador devia receber um prémio da Câmara de Lisboa, de Portugal, ou o quer que seja.
Raoul Ruiz pôs Lisboa, Portugal e Camilo Castelo Branco no mapa coisa que já tinha feito por Proust com o filme “O Tempo Reencontrado”.

Embora neste caso já não fosse necessário, visto os franceses o terem sempre vendido, com ou sem, as suas “madeleines” Neste caso era mais o prazer de ver uma adaptação do final da obra “À Procura do Tempo Perdido”

E já que está aqui, aproveite e ouça o “Concerto para Violino” do Luis de Freitas Branco.

Filme a ver:Sim,sim,sim

je t’aime…

para ouvir e depois ver “Gainsbourg: Vida Heróica”

Um filme biográfico, singular, fantástico e feito com afecto.

Lola ou Liz

No espaço de uma semana vi dois filmes, “Lola” e “Comer Orar Amar”.

Se o primeiro é sobre a dimensão da sobrevivência no mundo real das Filipinas, o segundo é sobre a(s) viagem(s) de uma jovem senhora, chamada Elizabeth Gilbert, à procura da sua identidade.

Resisto a compará-los mas tenho que dizer que é na “Lola” que nós encontramos a espiritualidade e como dizia um crítico “é uma catedral a céu aberto”,
o “Comer…” é um bocejo de preguiça, uma “juke box”.Fora as paisagens e paparocas, só tem um diálogo sério entre a protagonista e o seu amigo americano, mas isso não me impede de continuar a recomendar o livro.

Filme(s) a ver: Sim o primeiro como uma oração, o segundo como uma graçola.